Debates sobre o presente e o futuro do setor financeiro

Fruto da 7ª edição do IBGC Dialoga 2024, artigo traz insights para os conselheiros

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Fonte: banco de imagens Adobe Stock

No grupo temático Setor Financeiro, os dialogantes, profissionais sêniores experientes no setor financeiro, uniram-se para trocar experiências e debater temas que não somente já fazem parte do presente, mas também estão moldando o futuro do setor. Os encontros foram realizados sob as regras da Chatham House.

No primeiro encontro, identificando temas estratégicos para a governança de entidades financeiras, os dialogantes e o instrutor definiram temas que foram discutidos em cada um dos encontros. Na sequência, foi recebido Jochen Mielke, CEO da B3 Digitas, para debater sobre inovações no sistema financeiro e aplicabilidade de novas tecnologias, bem como sobre fintechs, ativos digitais e tokenização. Jochen traçou um panorama da evolução de inovações e abordou o surgimento de “tecnologias descentralizadas”, como o blockchain.

Dentre os diversos insights estão (i) user experience (UX) é o “nome do jogo” em tokenização – experiências do varejo podem ser aplicadas para o mercado de capitais, com foco na jornada do cliente quando compra e vende ativos; (ii) os bancos, em geral, estão aguardando definições do Regulador – porém existem os first movers, mais agressivos e com maior apetite a risco; e (iii) os profissionais das 2as e 3as linhas devem se capacitar em tecnologia e prevenção à lavagem de dinheiro.

  • desenvolver a diversidade no CA, incluindo expertise em tecnologia;
  • criação de um comitê de assessoramento ao CA, além da capacitação e letramento de conselheiros e diretores, a fim de mudar o mindset tradicional.

Dentre os fatores-chave de sucesso para uma instituição conquistar a resiliência cibernética, destacaram:

  • transformação digital como parte da estratégia de negócios;
  • criar uma cultura interna digital;
  • robusto plano de gestão de crise; investimento em infraestrutura e capacitação das pessoas em todas as áreas; e
  • plano para aperfeiçoar a maturidade da resiliência – avaliação regular com o uso de metas e testes periódicos.

(i) relevância dos aspectos culturais, às vezes negligenciados e a criação de uma cultura digital;

(ii) necessidade de cumprir os diversos requisitos regulatórios, por exemplo LGPD, normas do setor financeiro e legislações de outros países;

(iii) “tratar do core enquanto muda” – a agenda de inovação e/ou mudança não pode atrapalhar a agenda core nem a UX;

(iv) o CA não pode delegar sua responsabilidade – muitas vezes um comitê de inovação/tecnologia ou um grupo de trabalho funcionam como “muleta”.

Sobre resiliência cibernética, Toniolo enfatizou que o foco deve ser como suportar um ataque – neste sentido, discutiu-se (i) uso de inteligência artificial (IA) nas respostas aos ataques; (ii) capital intelectual é essencial, não somente ferramentas/infraestrutura; e (iii) realização de testes e exercícios rotineiros para mitigar vulnerabilidades e fortalecer a cultura. Por fim, ressaltou que a agenda de resiliência é tão importante quanto a agenda de inovação/transformação.

O tema do terceiro encontro foi ESG. Os dialogantes afirmaram a necessidade de capacitação e letramento dos conselheiros em diversidade e inclusão (DI), para mudar o mindset e romper vieses, especialmente diante dos ainda baixos níveis de DI observados no setor financeiro. Debateram ações que o CA pode tomar para liderar a pauta ESG:

  • tone at the top;
  • incorporar questões ESG e riscos relacionados ao plano estratégico;
  • garantir diversidade no CA, adequando os critérios de composição do conselho; e
  • criar comitê/grupo de trabalho, com a presença de especialistas.

Na sequência, foi recebido Marcelo Pasquini, Diretor de Sustentabilidade do Bradesco. Ele destacou que a abordagem romântica do ESG foi substituída por uma abordagem pragmática, ou seja, o setor financeiro como apoiador da transição energética. Dentre os insights estão administradores estão preocupados com sua responsabilização e com o impacto das questões ESG na sobrevivência das empresas; não somente riscos físicos merecem atenção, mas também riscos de transição; maior consideração dos riscos sociais, ambientais e climáticos no gerenciamento integrado de riscos; aumento de requerimentos ESG na análise e concessão de crédito; requerimentos regulatórios são direcionadores dessa agenda, com destaque para a atuação do FSB – Financial Stability Board, BIS – Bank for International Settlements e Banco Central do Brasil.

Na primeira parte do quarto e último encontro, foi recebido Durval Jacintho, expert em tecnologias digitais. Jacintho apresentou um breve histórico da aplicação da IA, ressaltando que a IA generativa é apenas uma pequena parte da IA. Dentre os insights estão

  • dados é o combustível – 80% do desempenho da IA depende de dados;
  • aplicação da IA deve começar internamente à organização – alinhar a cultura e realizar testes antes de oferecer aos clientes;
  • possibilidades de aplicação da IA são vastas, por exemplo automação de processos, apoio ao estrategista em M&A, decisões de investimentos, avaliar efeitos de eventos climáticos nos negócios, negociação algorítimica, prevenção a fraudes incluindo contábeis;
  • gestão de riscos relacionados ao uso da IA, por exemplo o uso de IA para explorar vulnerabilidades em segurança cibernética, deepfake, vieses em análises de perfis, riscos de dados; e (v) a regulação deve equilibrar o uso responsável e a inovação.

Infelizmente o Brasil encontra-se atrasado na elaboração da regulamentação – as empresas precisam fortalecer a governança da IA, criando suas próprias regras. Concluiu enfatizando a necessidade de programas estruturados de upskilling e reskilling para a adaptação da força de trabalho nesta nova realidade.  

Na segunda parte do último encontro, foi recebido Paulo Miron, Diretor Executivo de Auditoria Interna (AI) do Grupo Itaú Unibanco. Miron compartilhou sua experiência liderando a profunda transformação da AI do Grupo, para uma atuação mais ágil, alinhada com a velocidade das mudanças nos negócios e com as inovações do setor financeiro.

Houve a criação de um time, dentro da AI, com conhecimento em analytics e cyber; todos os auditores internos foram capacitados em metodologia ágil e em ferramentas de dados; utilização do conceito de audit by design, com automatização de muitas partes do trabalho de auditoria, além do conceito de combined assurance, para aproveitar sinergias com o trabalho do auditor independente; o planejamento de auditoria passou a ser mais dinâmico.

Finalizou citando os principais desafios enfrentados nesta jornada rumo à Auditoria Exponencial: (i) formar e reter pessoas, diante novo perfil do auditor; (ii) priorizar os riscos – “a AI tem que auditar o que importa”; (iii) identificar os riscos emergentes – “se há risco, a AI tem que ser capaz de avaliar”; e (iv) atender as expectativas dos diferentes stakeholders.

foi instrutor da 7ª edição do IBGC Dialoga no tema Financeiro, que ocorreu no período de março a junho de 2024, e atualmente é conselheiro de administração do IBGC.

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