Conselhos de Administração em Transformação 

O ciclo de encontros “IBGC Dialoga com a Tecnologia” ofereceu uma radiografia atualizada e sem filtros sobre os desafios que conselhos de administração enfrentam diante da transformação digital. Com quatro encontros temáticos e participação ativa de conselheiros e especialistas, os debates revelaram preocupações concretas e caminhos possíveis para que a governança corporativa acompanhe, com responsabilidade, o avanço das tecnologias. 

O que aprendemos que aprendemos com o ciclo “IBGC Dialoga com a Tecnologia 

(Descrição da imagem: A imagem mostra uma sala de reuniões moderna, vista por trás de uma mulher que está sentada à cabeceira de uma grande mesa de conferência de madeira clara. A mulher tem cabelos castanhos compridos, presos em um rabo de cavalo, e veste um blazer cinza. Do outro lado da mesa, sentadas, estão sete outras pessoas, a maioria homens, vestindo trajes de negócios, como ternos e camisas. Eles estão de frente para a mulher, e alguns olham em sua direção. A sala tem grandes janelas de vidro ao fundo, que revelam uma vista de edifícios da cidade. O teto é branco e possui longas luminárias embutidas. O ambiente é claro e profissional. Fim da descrição).

Fonte da imagem: banco de imagens Adobe Stock

Cibersegurança: um risco estratégico, não apenas técnico 

No primeiro encontro, a cibersegurança foi tratada como uma prioridade inadiável. O consenso é que ela precisa ser conduzida de cima para baixo — ou seja, liderada pelo conselho, com apoio da alta administração. Foram discutidas práticas como testes periódicos de penetração (ethical hacking), integração entre CSO e Comitê de Riscos e inclusão de parceiros da cadeia de valor nos protocolos de segurança. 

Também ficou clara a necessidade de mudança de cultura: a alta liderança precisa se engajar pessoalmente, e os conselheiros devem estar alfabetizados digitalmente para fazer as perguntas certas. A segurança digital foi tratada como risco corporativo, não apenas de TI. 

Inteligência Artificial: ferramenta estratégica que exige freios éticos 

A inteligência artificial foi tema do terceiro encontro e provocou reflexões profundas. Embora reconhecida como uma aliada na análise de riscos, compliance e apoio à decisão, a IA também traz riscos substanciais, como decisões enviesadas, opacidade algorítmica e impactos na criatividade humana. 

Foi consenso que a decisão final deve sempre permanecer com os humanos. Os conselheiros devem atuar como filtros das informações e respeitar a LGPD. A transparência dos dados utilizados para treinar os modelos, bem como a clareza sobre suas limitações, foi apontada como condição mínima de uso responsável. 

Outro ponto de destaque foi a urgência na capacitação digital dos conselhos. Sem isso, a empregabilidade e a efetividade da governança ficam comprometidas. 

Reputação em risco no mundo digital 

O último encontro trouxe exemplos concretos de riscos reputacionais agravados pela tecnologia: deepfakes, vazamentos de dados e golpes por imitação de voz. A discussão mostrou que não existe hierarquia na gestão de crises. É necessário um comitê multidisciplinar e treinamentos frequentes de continuidade de negócios. 

Além disso, destacou-se a responsabilidade dos conselhos em equilibrar inovação com prevenção. O uso de IA generativa, por exemplo, exige governança desde sua fase experimental. Foi sugerida uma mentalidade de startup nos conselhos, com mais agilidade e revisão constante das metas de curto prazo. 

Educação e cultura digital como pilares de proteção 

Em todos os encontros, a educação digital apareceu como eixo central. Os conselhos precisam ser parte ativa da capacitação contínua — de si próprios, de suas lideranças e das organizações que governam. A inclusão digital e o reskilling foram tratados não como bônus, mas como responsabilidade direta das empresas. 

O ciclo de encontros mostrou que os conselhos de administração não podem mais delegar a tecnologia. Eles devem compreendê-la, questioná-la, supervisioná-la e conduzir sua adoção com responsabilidade. A transformação digital chegou aos conselhos — agora, cabe a eles transformarem a governança. 

Referência bibliográfica: 

BRASSCOM (Org.). Plano Brasil Digital 2030+: as tecnologias digitais impulsionando o crescimento sustentável e a inclusão social. 2025. 

foi instrutura da 9ª edição do IBGC Dialoga do tema Tecnologia, que ocorreu no período de março a junho de 2025. 

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