O que aprendemos que aprendemos com o ciclo “IBGC Dialoga com a Tecnologia

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Cibersegurança: um risco estratégico, não apenas técnico
No primeiro encontro, a cibersegurança foi tratada como uma prioridade inadiável. O consenso é que ela precisa ser conduzida de cima para baixo — ou seja, liderada pelo conselho, com apoio da alta administração. Foram discutidas práticas como testes periódicos de penetração (ethical hacking), integração entre CSO e Comitê de Riscos e inclusão de parceiros da cadeia de valor nos protocolos de segurança.
Também ficou clara a necessidade de mudança de cultura: a alta liderança precisa se engajar pessoalmente, e os conselheiros devem estar alfabetizados digitalmente para fazer as perguntas certas. A segurança digital foi tratada como risco corporativo, não apenas de TI.
Inteligência Artificial: ferramenta estratégica que exige freios éticos
A inteligência artificial foi tema do terceiro encontro e provocou reflexões profundas. Embora reconhecida como uma aliada na análise de riscos, compliance e apoio à decisão, a IA também traz riscos substanciais, como decisões enviesadas, opacidade algorítmica e impactos na criatividade humana.
Foi consenso que a decisão final deve sempre permanecer com os humanos. Os conselheiros devem atuar como filtros das informações e respeitar a LGPD. A transparência dos dados utilizados para treinar os modelos, bem como a clareza sobre suas limitações, foi apontada como condição mínima de uso responsável.
Outro ponto de destaque foi a urgência na capacitação digital dos conselhos. Sem isso, a empregabilidade e a efetividade da governança ficam comprometidas.
Reputação em risco no mundo digital
O último encontro trouxe exemplos concretos de riscos reputacionais agravados pela tecnologia: deepfakes, vazamentos de dados e golpes por imitação de voz. A discussão mostrou que não existe hierarquia na gestão de crises. É necessário um comitê multidisciplinar e treinamentos frequentes de continuidade de negócios.
Além disso, destacou-se a responsabilidade dos conselhos em equilibrar inovação com prevenção. O uso de IA generativa, por exemplo, exige governança desde sua fase experimental. Foi sugerida uma mentalidade de startup nos conselhos, com mais agilidade e revisão constante das metas de curto prazo.
Educação e cultura digital como pilares de proteção
Em todos os encontros, a educação digital apareceu como eixo central. Os conselhos precisam ser parte ativa da capacitação contínua — de si próprios, de suas lideranças e das organizações que governam. A inclusão digital e o reskilling foram tratados não como bônus, mas como responsabilidade direta das empresas.
Essa preocupação dialoga com o que já propõe o Pilar 5: Inclusão Social e Digital & Combate à Desinformação, do Plano Brasil Digital 30+ As tecnologias digitais impulsionando o crescimento sustentável e a inclusão social (2025): promover letramento digital massivo, fomentar a autoproteção contra desinformação, reforçar a cultura de discernimento e conectar ações entre governo, empresas e sociedade civil.
O ciclo de encontros mostrou que os conselhos de administração não podem mais delegar a tecnologia. Eles devem compreendê-la, questioná-la, supervisioná-la e conduzir sua adoção com responsabilidade. A transformação digital chegou aos conselhos — agora, cabe a eles transformarem a governança.
Referência bibliográfica:
BRASSCOM (Org.). Plano Brasil Digital 2030+: as tecnologias digitais impulsionando o crescimento sustentável e a inclusão social. 2025.
foi instrutura da 9ª edição do IBGC Dialoga do tema Tecnologia, que ocorreu no período de março a junho de 2025.