Métrica de Governança: uma bússola para o ecossistema de startups e scale-ups 

Ferramenta online gratuita que auxilia founders e demais participantes a autoavaliarem a maturidade de suas empresas na prática da governança corporativa.
Descrição da imagem: A imagem mostra três pessoas em um ambiente de escritório moderno, discutindo em frente a um quadro branco cheio de anotações e post-its verdes. Um homem branco, de óculos, barba curta e cabelos grisalhos, vestindo uma camisa xadrez azul e branca, segura um marcador e gesticula enquanto fala. Ao seu lado, um homem negro, com a cabeça raspada e vestindo uma camisa vinho com pequenos padrões, observa o quadro com atenção. À frente deles, uma mulher negra de cabelos presos em um coque, vestindo um cardigã amarelo, segura um caderno e uma caneta enquanto acompanha a explicação. O escritório tem um ambiente aberto, com mesas ao fundo, luminárias pendentes e janelas grandes que permitem a entrada de luz natural. No teto, há enfeites coloridos suspensos, incluindo origamis de pássaros. Fim da descrição

Fonte da imagem: banco de imagens Adobe Stock

O desafio estava de qualquer maneira lançado. A Comissão de Startups e Scale-ups do IBGC, da qual fazia parte, decidiu pensar alguma forma de “medir” a governança das Startups. O IBGC nos inspirou com a ferramenta largamente conhecida da métrica de governança para empresas fechadas tradicionais, um produto que ajuda essas empresas a autoavaliarem sua maturidade no tema. 

A intersecção do anseio do ecossistema com a métrica já existente gerou uma iniciativa da nossa comissão e do time de pesquisa do IBGC. Usando o Caderno como alicerce, foi criado um grupo de trabalho dedicado. 

Um desafio muito além da métrica de empresas fechadas tradicionais estava justamente na estrutura do caderno citado, que se tornou a base de toda a dinâmica da Métrica GSS. Ele prevê quatro pilares com práticas de governança que vão evoluindo ao longo das quatro fases da vida de uma startup; bem diferente da estrutura unidimensional das empresas fechadas. 

Desenvolveu-se um sistema de pontuação engenhoso, refletindo 38 práticas de governança previstas para as quatro fases e permitindo produzir um diagnóstico final que funciona realmente como uma bússola. Antes de descrever melhor o relatório, vale lembrar que o formulário da Métrica GSS é uma autoavaliação gratuita das startups para auxiliá-las na percepção do grau de maturidade da governança. Não é um ranking ou um selo de qualidade, muito menos uma premiação. 

Um dos pontos cruciais do questionário é a autodeclararão da fase em que a startup se encontra. Isso vai definir se as práticas adotadas estão em concordância com o caderno. As perguntas tampouco precisam ser respondidas de uma só vez. O sistema guarda suas respostas para que o questionário seja finalizado posteriormente. Completado o questionário, as métricas produzirão um relatório final que consiste de duas partes. 

A primeira é uma visão geral da adoção das práticas de governança. Nesse grande resumo, a startup verá como está a adoção das práticas de governança previstas para sua fase atual. Assim, por exemplo, uma startup na fase de Tração deveria ter implementado todas as práticas previstas para as fases anteriores (de Ideação e Validação), além da sua própria fase. Um gráfico-resumo mostrará o percentual de adoção das práticas nos quatro pilares. 

A segunda parte é, para mim, a mais valiosa. Nela, cada pilar é detalhado separadamente. O relatório mostra qual o percentual de implementação das práticas em cada fase individualmente, incluindo fases futuras. Por exemplo, uma startup pode já ter implementado algumas práticas de governança preconizadas no caderno para a fase de Tração, mesmo estando ainda na fase de Validação. Além desse percentual de implementação, o relatório detalha todas as práticas que foram implementadas por completo para a fase atual da startup, as práticas que deveriam ter sido implementadas e não foram, ou foram implementadas parcialmente e as práticas previstas para as fases posteriores que já foram implementadas. Todas as práticas são identificadas e referenciadas para serem facilmente encontradas no caderno e revisadas. 

De posse dessas informações, cabe à startup refletir sobre sua jornada de governança: quais práticas não implementadas devem ser a prioridade? Práticas de fases futuras podem estar burocratizando desnecessariamente a operação? Ou são exigência de novos sócios (exemplo: investidores anjos e/ou venture capital) ou regulatória? Como sempre, não há um certo e errado. Cabe aos founders refletirem sobre as informações e tomarem as decisões que sejam melhores para o negócio. 

Para o ecossistema, uma métrica como essa é muito valiosa. Não só as startups podem fazer sua autoavaliação, mas mentores podem utilizá-la como ferramenta adicional nas suas mentorias. Consultores podem usar a métrica como avaliação inicial para entender o estado da governança dos seus clientes potenciais. Incubadoras, aceleradoras, investidores-anjos e/ou gestores de venture capital podem ter uma visão melhor das empresas que querem apoiar. E corporações como o banco do meu amigo lá do primeiro parágrafo podem entender melhor a governança das startups que pretendem contratar. Enfim, ganha todo o ecossistema. 

Garanto que vai gostar do resultado! 

foi membro da Comissão de Startups e Scale-Ups do IBGC entre 2019 e 2022. Este artigo foi escrito no âmbito do projeto #420 – “Divulgação Caderno de Governanca Corporativa para Startups”, da mesma Comissão.

 

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