Governança no Agronegócio: inovação e propósito como pilares de transformação

Reflexões sobre boas práticas de governança e estratégias para fortalecer a sustentabilidade no setor.

Fonte da imagem: banco de imagens Adobe Stock

Na 8ª edição do IBGC Dialoga Agronegócio, focamos em três temas principais: inovação e transformação, estratégia guiada pelo propósito e governança da família empresária. Para aprofundar a discussão, tivemos três convidados: Maria Fernanda Teixeira, Rodrigo Junqueira e Katerine Rios. Todos eles, gentilmente, nos conduziram a reflexões importantes.

A aplicação das boas práticas de governança no agronegócio brasileiro é fundamental para garantir que esses temas sejam tratados adequadamente.

Transformação e Inovação

Maria Fernanda Teixeira, conselheira independente do Grupo Vamos que possui várias concessionárias de máquinas agrícolas em todo o território nacional nos conduziu à reflexão sobre o tema da transformação e inovação. São essenciais para que o agronegócio brasileiro continue competitivo em um cenário global cada vez mais dinâmico e desafiador. A modernização tecnológica, a digitalização de processos e a adoção de práticas sustentáveis são algumas das tendências que impulsionam essa transformação.

O Brasil é um dos maiores produtores de alimentos do mundo e a inovação permite aumentar a produtividade, reduzir custos e melhorar a qualidade dos produtos. Tecnologias como agricultura de precisão, drones, automação e biotecnologia ajudam a enfrentar desafios como mudanças climáticas, escassez de recursos e demanda crescente por alimentos.

Some-se a isso nosso principal desafio: gerenciar pessoas e reter talentos. Se o país é um campeão na exportação de commodities, também não fica atrás nas estatísticas que demonstram que grandes talentos preferem deixar o Brasil em busca de melhores condições de vida, trabalho e recursos destinados a pesquisas.

Tratar de pessoas é desenvolver um olhar atento para a nossa cultura, o que conecta perfeitamente com o tema da transformação e inovação, principalmente em setores tão tradicionais quanto a agricultura e pecuária.

Outro ponto relevante tratado nesse encontro foi a gestão de riscos e como eles podem ser minimizados através de seguros agrícolas, monitoramento de mercados e uso de tecnologias avançadas que permitem a antecipação de problemas e a tomada de decisões mais assertivas.  A gestão de riscos eficiente protege o capital investido, promove estabilidade financeira e contribui para a longevidade do negócio.

E o uso da Inteligência Artificial deve ser considerada para a tomada de decisões estratégicas. Estudar sobre as novas tecnologias, conhecendo o impacto que elas exercem no monitoramento e processamento de dados em tempo real será essencial para acompanhar a transformação cultural em que estamos imersos.

Estratégia guiada pelo propósito

Para tratar desse tema tão relevante, contamos com a apresentação do nosso convidado Rodrigo Junqueira que nos encantou com os esforços da John Deere no Brasil, apresentando o primeiro centro de inovação e desenvolvimento de produtos fora do Hemisfério Norte e recentemente inaugurado em Indaiatuba/SP.

Esse Centro de Inovação tem por objetivo desenvolver produtos com foco na agricultura tropical, considerando as diferentes culturas existentes no país e a diversidade de maquinário (colheitadeiras, pulverizadores, plantadeiras e tratores), ao invés de “tropicalizar” tecnologias importadas.

Um belo exemplo de estratégia guiada pelo propósito que foca no impacto positivo que o negócio pode provocar na sociedade e no meio ambiente, além de seu objetivo econômico. Isso é especialmente relevante no agronegócio, um setor diretamente ligado à sustentabilidade e ao abastecimento alimentar.

A agricultura de precisão e o modelo de “solution as a service” oferece a conexão de equipamentos agrícolas com satélites, possibilitando ao fazendeiro o acesso a maiores e mais eficazes ferramentas para gerenciar seus custos e rentabilidade.

Governança da família empresária

Nosso último encontro tratou de tema complexo no agronegócio: a governança da família empresária. A convidada foi Katerine Rios, terceira geração de uma família com negócios rurais no oeste da Bahia, Maranhão e Pará.

Falamos sobre como a governança familiar é essencial para equilibrar as dinâmicas familiares e empresariais, garantindo a continuidade dos negócios de forma sustentável.

A falta de uma governança clara pode gerar conflitos internos e comprometer a sucessão patrimonial que é de extrema relevância nos negócios do agro. A implementação de práticas de governança ajuda a definir papéis, responsabilidades e a sucessão da liderança de forma transparente, garantindo que o negócio continue por gerações.

A definição das fronteiras entre as questões familiares e empresariais evita que conflitos pessoais interfiram na gestão do negócio. Muitas famílias no agronegócio têm dificuldades em crescer ou se manter competitivas devido à falta de profissionalização. A governança familiar ajuda a integrar profissionais externos qualificados e a definir estruturas formais de tomada de decisão.

Como membro da terceira geração e profissional atuante no mercado, Katerine trouxe para discussão vários exemplos de famílias empresárias que implementaram as boas práticas de governança e estão atingindo a longevidade dos negócios rurais e outras que, não tendo aplicado, estão imersas em conflitos.

O conceito de legado e seus diversos aspectos também influencia na governança da família empresária. Estar consciente das marcas que queremos deixar no mundo pode fazer toda a diferença na aplicação das boas práticas de governança.

Encerramos o semestre com a reflexão de que, no contexto do agronegócio brasileiro, transformação e inovação são cruciais para manter a competitividade e enfrentar desafios globais, enquanto a governança da família empresária é vital para garantir a continuidade e a harmonia nos negócios familiares. A estratégia guiada pelo propósito, por sua vez, assegura que o negócio esteja alinhado com os princípios de sustentabilidade e responsabilidade social, essenciais para seu crescimento sustentável no longo prazo.

Juntos, esses temas formam a base para uma governança eficaz e longeva.

foi instrutora da 8ª edição do IBGC Dialoga do tema Agronegócio, que ocorreu no período de agosto a novembro de 2024.

Compartilhe
0
    0
    seu carrinho
    seu carrinho está vazioRetornar a lista de conteúdo