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Nos encontros do IBGC Dialoga Tecnologia 2025/2 o grupo aprofundou como Conselhos de Administração podem conduzir a transformação digital com sustentabilidade competitiva, adotar IA com responsabilidade e elevar a maturidade em cibersegurança.
As discussões reuniram conselheiros, executivos e especialistas de diferentes setores de mercado e especialistas de mercado.
Foi uma combinação de exemplos práticos, dilemas de decisão e recomendações aplicáveis à agenda do Board. A seguir, um resumo estruturado dos tópicos debatidos e dos encaminhamentos sugeridos.
Transformação digital e sustentabilidade competitiva
O encontro dedicou-se a discutir transformação digital como estratégia contínua — e não como projeto pontual. Aqui, foi trazido caso prático, de uma famosa empresa do setor de varejo, que serviu de referência para ilustrar a transição de um varejo tradicional para um ecossistema digital, com marketplace, uso intensivo de dados e inteligência artificial para personalização, logística e relacionamento com clientes, além do investimento deliberado em cultura digital.
A reflexão central foi sobre o equilíbrio entre velocidade e disciplina: digitalizar é indispensável, mas o Conselho precisa acompanhar criação de valor a médio e longo prazo, integração pós-aquisições (dados, processos e cultura) e a coerência entre ambição de crescimento e sustentabilidade financeira.
Como resultante pode-se ver que é preciso maturidade para não correr o risco de implementar sem olhar e cuidar da cultura e processos.
IA no Conselho: valor, limites e governança
A Inteligência Artificial foi tratada como componente transversal da transformação digital. O grupo reforçou que a adoção deve começar pelas dores reais do negócio, com casos de uso priorizados e indicadores de valor , evitando iniciativas guiadas apenas por modismo.
Também houve convergência em dois pontos: 1. modelos de IA operam de forma probabilística sobre dados históricos e, por isso, não substituem visão de futuro, conhecimento do setor e julgamento humano; 2. na governança, a IA deve ser uma ferramenta de apoio e deixar a instância decisória a cargo do board.
Como encaminhamento, destacou-se a necessidade de protocolos formais para uso de IA por conselheiros e executivos, cobrindo segurança, confidencialidade, explicabilidade (quando aplicável) e trilhas de auditoria.
O letramento digital do topo apareceu como condição prática para qualificar o debate e reduzir assimetrias entre áreas técnicas e o Conselho.
Cibersegurança: governança, risco e prontidão para crise
A recapitulação do encontro sobre cibersegurança enfatizou que segurança cibernética é tema de governança, gestão de risco e compliance, envolvendo pessoas, processos e tecnologia.
A discussão trouxe a importância de o Conselho conhecer os ativos digitais críticos e os impactos de indisponibilidade, vazamento ou sequestro de dados, que podem colocar em risco a imagem da empresa e, como consequência, comprometer a sua existência.
Um ponto recorrente foi a cadeia de suprimentos, pois ataques frequentemente ocorrem via terceiros, o que exige due diligence cibernética em fornecedores e em processos de M&A. Também se reforçou a relevância de planos de resposta a incidentes e continuidade de negócios, treinados previamente, com definição de papéis, protocolo de comunicação e participação do Board em simulações e testes de estresse.
Foi destacada, ainda, a “hora dourada” das primeiras 24 horas após a detecção de um incidente: quanto mais preparado o time (e mais clara a governança), menor tende a ser o dano operacional e reputacional. No debate sobre ransomware, ressaltou-se que a decisão sobre pagamento (ou não) de resgate é decisão de governança e deve ser preparada antes da crise, incluindo critérios, responsáveis, simulações de tomada de decisão e, quando pertinente, contato antecipado com negociadores especializados.
A revisão criteriosa de apólices de seguro cibernético (cláusulas, coberturas e quem decide) e testes regulares de backup e restauração (incluindo “backup do backup”) foram apontados como parte da preparação.
Horizontes de avanços
Tivemos a oportunidade de ouvir especialista da área, que falou sobre as tendências digitais, reforçando o crescimento da IA e seus usos, assim como o desenvolvimento de modelos utilizando tecnologias quânticas, trazendo mais velocidade e acuracidade aos processos.
Como síntese prática, o grupo reuniu ações que podem ser incorporadas à agenda do Conselho e comitês:
- mapear e revisar periodicamente ativos digitais críticos e seus “pontos únicos de falha”;
- exigir matriz de riscos atualizada com risco cibernético como risco crítico e planos de ação associados;
- realizar due diligence cibernética em fornecedores, parceiros e operações de fusão e aquisição;
- confirmar existência e maturidade de plano de resposta a incidentes e continuidade de negócios, com treinamentos e simulações;
- estabelecer governança de IA: diretrizes de uso, confidencialidade, auditoria, critérios de explicabilidade e responsabilização;
- fortalecer a comunicação entre áreas técnicas (responsável pela segurança -CISO, TI, segurança) e o Board, criando ambiente seguro para transparência e reporte de problemas;
- incluir competências de tecnologia e segurança na matriz de competências do Conselho, para elevar a qualidade das perguntas e das decisões.
Os encontros reforçaram que tecnologia, IA e cibersegurança são temas inseparáveis quando o foco é perenidade organizacional.
Ao Conselho cabe traduzir essas frentes em direção estratégica, limites claros, priorização, métricas de valor e preparação para crises, transformando inovação em vantagem competitiva sustentável, com gestão adequada de riscos.
foi instrutura da 10ª edição do IBGC Dialoga do tema Tecnologia, que ocorreu no período de agosto a novembro de 2025.