(Descrição da imagem: A imagem mostra duas pessoas em um ambiente de trabalho, com foco em elementos de energia renovável dispostos sobre uma mesa. Em primeiro plano, sobre uma superfície de madeira clara, destacam-se duas miniaturas de turbinas eólicas brancas, cada uma com pequenas placas solares em sua base quadrada. Entre as turbinas, há uma pequena árvore artificial verde, uma caneca branca e rolos de papel que parecem ser plantas arquitetônicas. No canto inferior esquerdo, vê-se uma maquete simples de uma casa branca. No plano médio, de forma levemente desfocada, estão as duas pessoas. À esquerda, um homem negro vestindo um suéter azul observa os objetos sobre a mesa. À direita, uma mulher com cabelos escuros, vestindo um suéter amarelo sobre uma camisa branca, está sentada em frente a um laptop aberto. Ao fundo, encostado na parede clara, há um painel solar real de tamanho médio. A iluminação é suave e natural, vinda lateralmente. Fim da descrição.)

Fonte da imagem: Magnific

A agenda deste último encontrou sofreu um efeito colateral: ao contrário do lema que foi adotado para as sessões anteriores do Dialoga Transição Energética de 2025 (um enigma dentro de um mistério), o melhor que se pode dizer sobre o que viria a se desdobrar da COP30 surgiu na forma de um jogo semântico pois vivenciaremos um mistério dentro de um enigma.

Sobretudo porque, mais do que nas COP anteriores, o cerne da questão da transição energética, o “transitioning away from fossil fuels”, com os adjetivos que foram sendo adicionados nos últimos anos, “just, orderly, equitable phase-out”, encontraria forte rejeição antes mesmo da COP30 começar.

O princípio da “ordem baseada em regras” (“RBO – Rules-based order”), sustentado por instituições multilaterais de cooperação, estava sendo rapidamente erodido e progressivamente substituído por “negociações comerciais” bilaterais ou trilaterais, um ponto que afeta diretamente a evolução e as perspectivas das negociações climáticas, essencialmente multilaterais, que dependem de uma transição energética de alcance global, não restrita a Estados-Nacionais ou a acordos regionais.

A pergunta seminal “quanto custa e quem pagará” pela transição energética subitamente tornou-se anacrônica. Não porque tenha se tornado irrelevante. Ao contrário. O acirramento dos conflitos geopolíticos é que ocupou o espaço na agenda da diplomacia global e deslocou a dicotomia “quanto custa e quem pagará” para um segundo plano.

O longo adeus do petróleo e demais fontes emissoras de gases de efeito estufa ganhou fôlego extra por ter reocupado seu papel relevante nas relações político-estratégicas globais.

Como pontos positivos da COP30, o financiamento climático alcançou um acordo indicando a intenção de aportes significativos (US$ 1,3 trilhão anualmente) pelos países que se fizeram representar no encontro. E as organizações da sociedade civil conquistaram avanços significativos na inclusão de gênero, povos indígenas e afrodescendentes nos textos finais.

Mas ficou no ar uma dúvida mais do que razoável: de onde serão originados esses recursos, em um mundo em que os orçamentos públicos estão sendo pressionados a equacionar as demandas, não da segurança energética, mas dos orçamentos de defesa afetados por ameaças geopolíticas?

A COP30 deu um passo importante na consolidação da inclusão social, mas falhou em definir metas ambiciosas para a descarbonização, especialmente metas de redução da produção e uso de combustíveis fósseis, deixando um legado de avanços pontuais e um grande desafio para a concretização das ações climáticas na próxima década, foco do “mutirão” progressista e da presidência da COP30 para 2026.

Uma forma de dirigir um olhar positivo para o futuro da transição energética global para a próxima década (2026-2035) é reconhecer que tudo seria mais fácil não fossem as dificuldades. Na matriz energética global a participação das fontes e usos de energias sustentáveis amplia-se, sobretudo energia elétrica gerada por fontes como a solar e a eólica, notadamente na China, apesar dos esforços em contrário do governo norte-americano (e, destaque-se, não somente).

Não obstante, remanesce um problema crônico no âmbito dos Estados-Nacionais.

Devido a efeitos colaterais sobre a “segurança energética” e no balanceamento operativo das redes de energia elétrica pelo despacho das fontes renováveis interrompíveis, perdas financeiras para os operadores de fontes eólicas e solares (e até mesmo à geração solar de pequeno porte, descentralizada) estão se acumulando.

Mesmo que os procedimentos sejam essenciais para manter a estabilidade do sistema elétrico, é mais uma demonstração de que a volatilidade e incoerências das políticas públicas e do papel do Estado como regulador é um risco crítico por ser não totalmente mitigável pelo ambiente empresarial, sendo um ponto de atenção permanente para os Conselhos de Administração.

Até a COP31 muitas emoções virão.

Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo em 28/01/25, o embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30, utilizou uma frase de extrema lucidez e sabedoria: “Todos os países enfrentam alguma forma de contradição no combate à mudança do clima”.

Esta frase acompanhará a jornada até a COP31.

foi instrutor da 10ª edição do IBGC Dialoga no tema Transição Energética, que ocorreu no período de agosto a novembro de 2025.

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