(Descrição da imagem: Em uma sala de reuniões, um homem de terno escuro está em pé e aponta para uma grande tela na parede. Ela exibe um mapa-múndi com a América do Sul destacada em verde, linhas de conexão entre regiões e gráficos de linhas e barras. Quatro pessoas estão sentadas ao redor de uma mesa comprida e brilhante, voltadas para a apresentação: um homem e uma mulher de cada lado. Sobre a mesa há notebooks abertos com mapas na tela, cadernos, canetas, copos de água e uma xícara com pires. Uma pequena bandeira do Brasil ocupa o centro da mesa. À esquerda, grandes janelas revelam edifícios e uma ponte estaiada ao pôr do sol. A luz alaranjada se reflete na mesa. Os textos e valores dos gráficos não estão legíveis. Fim da descrição).

Fonte da imagem: gerada por IA (Gemini)

Os encontros realizados na 11ª edição do IBGC Dialoga Mercado de Capitais  foram marcados pela escolha de temas atuais e relevantes, definidos conforme a demanda dos participantes, que atuaram de forma muito ativa nas discussões e ponderações. O alto nível de engajamento nas discussões e a interação produtiva com os convidados permitiu uma abrangência nos temas discutidos.

Foi apresentada a estrutura e atratividade do mercado de capitais brasileiro, comparando-o com outros países e abordado temas relevantes como:  captação de recursos e infraestrutura; governança corporativa e atratividade de capital estrangeiro; impacto das questões geopolíticas; estruturação dos órgãos reguladores. Além disso, foram abordados desafios estruturais que inibem a atração de capital.

Por outro lado, foi analisado o market value de empresas globais e nacionais, que já embutem uma parcela significativa de ativos intangíveis, demonstrando que o valor de mercado atual é fortemente impulsionado pela percepção dos investidores na geração futura, frequentemente excedendo o valor dos ativos tangíveis reconhecidos nas demonstrações financeiras.

Os participantes também demonstraram preocupação com o alto endividamento corporativo, além das situações de não conformidade, destacando a necessidade de melhoria na transparência e confiabilidade, além da importância de reforçar a educação financeira para pessoas físicas.

Investimentos em Startups

Cassio Spina, Presidente da Anjos do Brasil, apresentou um raio-x da atuação e abrangência, destacando o diferencial do capital de experiência, além do capital financeiro, enfatizando os aspectos do ecossistema, diversidade, setores de atuação, visão de portfólio (investir em múltiplas empresas para mitigar riscos) e colaboração. Foi destacado também o ciclo de vida e retorno financeiro.

A estrutura de governança corporativa deve evoluir com a empresa. No início, utiliza-se um Conselho Consultivo e, ao ganhar tração e capital, transita-se para um Conselho de Administração formal para garantir compliance e os processos de decisão.  Outro ponto destacado foi a gestão de riscos e a diversificação de portfólio considerando que startups possuem foco em alta inovação.

Novas Normas Contábeis e Sustentabilidade (ESG)

O encontro técnico abordou as grandes mudanças regulatórias globais e locais, que contou com a presença de dois especialistas:

Impactos da IFRS 18

De acordo com professor Flavio Riberi, a nova norma reestrutura as demonstrações financeiras (DRE – Demonstração de Resultados e DFC – Demonstração do Fluxo de Caixa) com foco central no Lucro Operacional, exigindo reconciliação rígida de métricas como o EBITDA.

A norma introduz uma nova estrutura para a DRE com foco no Lucro Operacional que terá itens com reclassificações. As empresas poderão agregar contas por natureza, por função ou de forma mista, evitando a ocultação de valores relevantes. Adicionalmente, na DFC, o método indireto não partirá mais do Lucro Líquido, mas sim do Lucro Operacional. Além disso, há regras mais restritas e demarcadas para a classificação de juros e dividendos (recebidos e pagos) entre as atividades operacionais, de investimento e de financiamento. Por outro lado, as Métricas de Desempenho (MPMs e EBITDA) passam a ter regras estritas de reconciliação. As empresas deverão explicar o motivo do uso da métrica, demonstrar o impacto tributário de cada ajuste e manter consistência ao longo do tempo. Essas métricas passarão pelo crivo da auditoria externa. Será necessário revisão nos sistemas e processos e plano de contas para capturar dados mais granulares, englobando orçamento FP&A – planejamento e metas executivas sob a nova ótica do Lucro Operacional e a comunicação ao mercado de capitais para evitar lapsos de interpretação nas novas métricas.

Normas de Sustentabilidade IFRS S1 e S2

Vânia Borgerth explanou que o objetivo das normas é a padronização dos relatos ESG, conectando os diretamente às demonstrações financeiras das companhias. O foco principal da IFRS S1 é nos requisitos gerais que engloba materialidade financeira, demonstrando como fatores externos afetam financeiramente a empresa. A IFRS S2 trata do clima, destacando governança, estratégia, riscos e métricas ao longo de toda a cadeia de valor.

Em maio de 2026, foi divulgado atualização regulatória, pela Resolução CVM 244, que tornou a adoção dessas normas de sustentabilidade voluntária para 2026. A partir de 2027, as empresas que não reportarem deverão usar o mecanismo “pratique ou explique”.

A opinião é que as companhias precisam se preparar, envolvendo múltiplas áreas, para garantir a rastreabilidade da informação, a comparabilidade e a transparência com o mercado financeiro. A evolução do conceito de sustentabilidade, embasando o lucro: primeiro a empresa precisa ser financeiramente viável para conseguir respeitar os limites ambientais, manter a dignidade humana e aplicar boas práticas de governança. As demonstrações financeiras demonstram as informações tangíveis, já as questões ESG integram as informações intangíveis que podem trazer reflexos para o fluxo de caixa futuro da companhia. Em suma, ser sustentável exige visão de longo prazo, planejamento, inovação, uso de tecnologia para gerenciamento de riscos e incorporar oportunidades, com pensamento integrado em ações cujos frutos resultarão em agregação de valor.

Importância da Autorregulação

A superintendente de representação de mercados da Anbima, Tatiana Itikawa explanou sobre os processos de autorregulação de responsabilidade da Associação, que atua criando regras de conduta por meio de comissões independentes, convertendo multas em educação financeira para o mercado.

Entre as várias responsabilidades da Anbima estão abrangidas: representação, supervisão, dados e tecnologia. A retroalimentação entre as áreas ajuda a melhorar as regras através da observação prática.  Além disso, engloba as iniciativas de inovação e sustentabilidade, incluindo o desenvolvimento de inteligência artificial para processos internos e a criação de pesquisas e protótipos para melhor entender a perspectiva do investidor. Foi também destacado a estrutura de investidores, produtos de crédito privado e parcerias com reguladores como a CVM. Além de convênios de cooperação, para troca de informações e supervisão.

Foram apresentados os dados sobre captação de recursos no mercado de capitais, destacou-se o salto do financiamento corporativo que saiu de 12% para 35%, impulsionado fortemente pelas debêntures isentas.

Captação de Recursos

O panorama de emissões demonstra que o início de 2026 foi dominado pela renda fixa, liderada por debêntures, enquanto as ofertas de ações (IPOs) seguem represadas pelo cenário macroeconômico. Desta forma, o montante de emissões totalizou R$ 180,1 bilhões de janeiro a março de 2026, segundo o relatório da Anbima, englobando: debêntures, Notas Comerciais, Letras Financeiras, CDCA, CR, CRA, CRI, FIDCO, FIAGRO, FII e follow-ons.

O Dialoga interativo foi focado em discussões abrangentes sobre governança e riscos no mercado financeiro; prevenção de fraudes; necessidade de melhoria dos processos de compliance e enforcement; discussão de mudanças necessárias para asseguração dos processos e prestação de contas; responsabilidade corporativa; gestão de riscos no centro das prioridades dos administradores; políticas diferenciadas de investimentos que já vem sendo aplicadas por investidores globais; preocupações com os desdobramentos geopolíticos e seus impactos no cenário global; importância da curadoria de dados; expectativas versus entraves para a ascensão do Mercado Fácil.

As reuniões evidenciaram que práticas reais de governança passam por um processo de amadurecimento e necessidade de melhorias em controles internos, englobando limites de alçada, mensuração da materialidade, integrando a gestão de riscos e oportunidades e consolidando os programas de integridade, que são vitais para evitar crises.

Este artigo é resultado do diálogo realizado com os participantes da 11ª edição do IBGC Dialoga com o Mercado de Capitais.

foi instrutora da 11ª edição do IBGC Dialoga no tema Mercado de Capitais que ocorreu no período de março a junho de 2026.

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