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1. Introdução
Este artigo apresenta uma metodologia inédita que integra métricas de futuro ao processo de governança, permitindo uma atuação preditiva dos conselheiros. Ao combinar as macrotendências e seus indicadores com a avaliação do estágio de maturidade organizacional, propõe-se uma ferramenta prática para orientar decisões estratégicas e preparar as empresas para as transformações exigidas pelo ambiente de negócios. Além disso, o artigo provoca reflexões sobre a importância de transcender métricas tradicionais e incorporar indicadores que conectem inovação, sustentabilidade e relevância no longo prazo.
2. As Macrotendências e seus Indicadores
Considerar as macrotendências e monitorar seus indicadores amplia a capacidade de identificar gaps e oportunidades, orientando iniciativas que potencializem a estratégia empresarial. Apesar de sua constante evolução, cinco macrotendências servem como base inicial associada a 13 indicadores. Abaixo um resumo para cada uma delas.
2.1 Tecnologias Emergentes e Disruptivas
A adoção de tecnologias disruptivas redefine modelos de negócio e cria novas oportunidades.
- Conselho com proficiência digital e de inovação: A proficiência digital é essencial. Não basta ter um conselheiro com conhecimento técnico; é necessário um grupo diversificado, com experiências em tecnologia, inovação e curiosidade constante.
- Parcerias com centros de excelência: Universidades, hubs de aceleração e institutos de pesquisa são essenciais para empresas que buscam inovação.
- Ciberresiliência e LGPD: A inovação traz novos riscos cibernéticos e oportunidades quanto à informação. Atualização constante contra ameaças cibernéticas, ambientes digitais confiáveis, éticos e em conformidade legal são essenciais.
2.2 Nova Dinâmica Social e Relacionamento com Multistakeholders
Considerar os multistakeholders envolve a identificação, avaliação, priorização e interação com eles.
- Acordos com stakeholders: Empresas devem integrar inputs desses stakeholders no desenvolvimento de produtos e serviços, criando processos mais abertos e colaborativos. Formalizar essa participação na governança é crucial para as diretrizes estratégicas do conselho.
- Relatórios integrados: Formalizam o compromisso com responsabilidade e transparência, conectando desempenho econômico-financeiro e não-financeiro. Ao compartilhar informações periodicamente, eles alinham áreas isoladas, fortalecem a visão de futuro e clarificam a geração de valor e os impactos dos negócios.
- Diversidade no conselho: A diversidade e inclusão são essenciais para a gestão empresarial, impulsionando produtividade, inovação e valor. Pessoas com diferentes origens e experiências identificam problemas e soluções únicas, gerando oportunidades. A representatividade no conselho e liderança garante alinhamento com o posicionamento da marca.
2.3 Alterações na Ordem Internacional
Mudanças geopolíticas e marcadores de mudança globais impactam cadeias de valor e mercados.
- Mapeamento de movimentações geopolíticas: Monitorar ameaças, oportunidades e impactos em toda a cadeia de valor do negócio.
- Conhecimento e integração cultural: Conhecer e respeitar as culturas regionais é essencial no trato com funcionários, clientes e na realização de negócios. Ignorar esse contexto pode transformar oportunidades em perdas.
2.4 Negócios Centrados em Pessoas e Comportamentos
A evolução do foco em produtos para a centralidade no ser humano transforma estratégias.
- Mapeamento de engajamento: Ferramentas avançadas estão substituindo indicadores tradicionais como o NPS, oferecendo análises preditivas e acompanhamento da jornada do consumidor. Respeitando a LGPD, essas ferramentas são essenciais para decisões estratégicas.
- Experiência dos colaboradores: A cultura aberta aliada a um ambiente de bem-estar e comunicação fluída ajuda na retenção de talentos e no engajamento, promovendo inovação e compartilhamento de novas ideias.
2.5 Sustentabilidade e Economia Circular
A transição para modelos sustentáveis é inevitável e impacta todos os setores.
- Questão ambiental e social: Considerar aspectos ambientais e sociais permite ao conselho e à empresa gerir riscos e criar valor. Esses fatores se tornam centrais na alocação de capital, e é essencial debater sua influência nos produtos e serviços, incorporando-os na governança.
- Modelo circular: Uma estratégia eficiente de transição para a “economia circular” envolve design, modelos de negócios, ciclos reversos e relacionamento com clientes e fornecedores.
- Pegada de carbono: Canalização de investimentos em inovação e iniciativas para reduzir a pegada de carbono deve ser acompanhada, demonstrando como essas ações contribuem para um modelo econômico positivo e sistêmico com os stakeholders. É meta estratégica para perenidade.
3. Escala de Preparação: Medindo a Maturidade para o Futuro
Considerar uma metodologia que utiliza uma escala de preparação para medir a maturidade da empresa em relação a cada tendência provoca uma reflexão organizada e ajuda os conselhos a se engajarem e patrocinarem elementos que ajudem a empresa a melhor se posicionar nos diferentes cenários. Esta escala vai de “Despreparado” a “Líderes”, com diferentes níveis que descrevem o grau de integração do tema na organização.
- Despreparado: O tema não é abordado no conselho ou na organização. As equipes carecem de conhecimento, e o tema não é considerado para implementação.
- Iniciante: O conselho identifica a importância de explorar o tema, mas ainda está em estágio inicial de discussão e aprendizado.
- Em Evolução: O tema já é visto como importante, com objetivos claros e processos em desenvolvimento.
- Em Conformidade: O tema é incorporado às operações e monitorado, mas ainda não está totalmente integrado à cultura.
- Avançado: A organização entende a relevância do tema e busca aprimorar continuamente processos associados.
- Líderes: O tema está plenamente integrado na cultura e nas práticas diárias, servindo como uma referência estratégica no setor.
4. Como os Conselhos Podem Usar a Escala para Guiar a Empresa?
A escala de preparação não é apenas uma ferramenta de diagnóstico, mas uma estrutura prática para os conselhos focarem seus esforços. Ao entender em qual estágio a empresa está em relação às macrotendências, o conselho pode priorizar áreas críticas e identificar forças competitivas, alinhando objetivos e criando um plano de ação progressivo.
5. Conclusão
A função do conselho é patrocinar ações que fortaleçam a empresa e a preparem para desafios futuros, com uma abordagem proativa. A metodologia baseada em macrotendências transforma o planejamento estratégico, deslocando o foco do passado para o futuro, permitindo uma visão antecipatória e assertiva.
Para conselheiros e alta gestão, a reflexão é essencial: quão preparada está sua empresa para o futuro? O sucesso sólido de amanhã começa com as decisões estratégicas de hoje.
Cristina Tuna e Fátima Raimondi
são integrantes da Comissão de Conselho do Futuro do IBGC. Este artigo foi escrito no âmbito do projeto #428 – “O Conselho e a preparação da empresa para o Futuro”, da mesma comissão.