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O ecossistema de inovação no Brasil é marcado por uma diversidade de hubs, forte presença regional e mecanismos articulados de suporte ao empreendedorismo tecnológico. Existem mais de 140 mil ativos de inovação mapeados — laboratórios, incubadoras, parques tecnológicos, hubs e centros de pesquisa, que ajudam a fomentar ideias inovadoras e impactam diversos segmentos, tais como empresas dos setores, indústrias, universidades e investidores. Segundo a plataforma Observatório Sebrae de Startups 2025[1], o país abriga mais de 20 mil startups, concentradas principalmente no estado de São Paulo (22%), com crescimento na região Nordeste com quase 25% e Sul (21%).
Um elemento importante neste ecossistema são as redes de investidores anjo, como Anjos do Brasil, BR Angels, UniAngels, Startup Academy, Aspen e Sororitê, entre outras, com iniciativas vinculadas a universidades e grandes hubs de inovação, a exemplo do South Summit em Porto Alegre, entrevistadas para elaboração deste trabalho.
Apesar dos avanços deste ecossistema no Brasil, grande parte dos empreendedores e CEOs ainda desconhecem a governança na prática, tratando-a de forma superficial, o que fragiliza o crescimento e a atração de capital. A experiência dos autores como mentores e investidores anjo em startups e membros da Comissão de Ética e Integridade do IBGC – corroborada com entrevistas realizadas com lideranças do ecossistema –, identificou na relação com fundadores e/ou CEOs alguns casos de vácuo ético e de governança, que gera pitches vazios, promessas sem lastro, uso pouco transparente dos recursos e desalinhamento entre a narrativa apresentada ao investidor e a prática cotidiana da gestão. A consequência direta é a perda de credibilidade e dificuldade de captar e reter investimento qualificado, mesmo em ambientes com dinheiro disponível.
Para mitigar riscos para ambas as partes, as boas práticas de governança corporativa para startups apresentadas pelo IBGC emergem como pilares estratégicos da inovação sustentável, consolidando um vetor estratégico para alavancagem das startups. Mais do que burocracia, a governança funciona como instrumento de aceleração, capaz de alinhar sócios, investidores e equipes em torno de propósitos claros e práticas éticas. Transparência no uso de recursos, consistência entre narrativa e prática e clareza de propósito são elementos que constroem reputação e credibilidade, diferenciais decisivos na captação de investimentos.
A adoção da governança deve acompanhar todas as fases da startup — ideação, validação, tração e escala — com aplicação modular e adaptativa. Em cada estágio, pilares como estratégia societária, gestão de pessoas e recursos, processos tecnológicos e controles de conformidade amadurecem progressivamente.
Entre as melhores práticas de governança, recomenda-se a acordos de sócios, definição de métricas de maturidade e a criação de conselhos consultivos, instrumentos que reduzem conflitos e sustentam decisões estratégicas.
Os agentes do ecossistema entrevistados revelam também que muitos investidores oferecem mais que capital: compartilham experiência, práticas de gestão e mentoria. Casos bem-sucedidos demonstram que a adoção precoce de práticas de governança fortalece vínculos de confiança, atrai talentos e amplia a credibilidade institucional. Por outro lado, práticas inadequadas — como uso indevido de recursos, manipulação de cap table e ausência de prestação de contas — corroem a confiança e podem levar ao afastamento de fundadores ou saída de investidores.
Concluímos que empreendedores são aclamados como visionários, e startups, especialmente as de base tecnológica, são vistas como os principais motores de uma nova economia digital e “plataformizada”. Essa visão, embora inspiradora, tende a ofuscar uma dimensão crítica e menos glamourosa do processo inovador: a sua governança. Neste cenário, a ética e a transparência deixam de ser ornamentos burocráticos para se tornarem uma bússola para a inovação sustentável e um antídoto contra a morte prematura, – não por falta de tecnologia, mas por falta de conduta e de regras claras. Startups que cultivam valores sólidos e conduta responsável constroem relações autênticas e duradouras, transformando ideias em impacto real.
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Confira o paper completo, da série IBGC Discute, no Portal do Conhecimento do IBGC. O texto propõe uma “anatomia evolutiva” da governança, que cresce junto com a startup e com a própria relação com os investidores.
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Agradecimentos
Agradecemos os agentes do ecossistema de inovação que compartilharam tempo, experiências e perspectivas valiosas. Entre eles, Alsones Balestrin e Susana Kakuta da Startup Academy, Tulia Brugali do IBER-RS, Daniel Andrade da UniAngels, Claudio Neszlinger da ASPEN, Paulo Mariotto da BR Angels, Maria Bofill do Tozzini Freire Advogados e Érica Fridman do Fundo Sororitê. Suas contribuições foram fundamentais para a construção das análises e reflexões apresentadas, reforçando a importância da cooperação e da troca de conhecimento para o fortalecimento das práticas de governança em startups.
Keila Faim, Durval Jacintho e Cecília Carmona
são membros da Comissão de Ética e Integridade. Este artigo foi produzido no âmbito do projeto #509, da mesma comissão.
[1] ABREU, Carlos. Ecossistema de startups supera 20 mil empresas ativas e se espalha pelo país. Agência Sebrae de Notícias, 27 ago. 2025. Disponível em: https://agenciasebrae.com.br/inovacao-e-tecnologia/ecossistema-de-startups-supera-20-mil-empresas-ativas-e-se-espalha-pelo-pais/. Acesso em: 28 maio 2026.