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As normas IFRS S1 e S2, emitidas pelo ISSB (International Sustainability Standards Board) — e, no Brasil, traduzidas, adaptadas e emitidas respectivamente como CBPS 1 e CBPS 2 — estabelecem referências para a divulgação de riscos e oportunidades relacionados à sustentabilidade e representam uma mudança relevante na forma como organizações e investidores avaliam geração e preservação de valor.

No Brasil, embora a regulamentação tenha evoluído para um modelo voluntário de adoção, baseado na lógica de “pratique ou explique”, as normas permanecem como uma referência internacional relevante para investidores, conselhos e organizações comprometidas com boas práticas de governança e sustentabilidade.

Apesar de sua importância estratégica para os negócios, os mercados e a sociedade, a agenda de Diversidade, Equidade e Inclusão (DEI) ocupou, em muitas organizações, um espaço periférico e isolado, frequentemente associado a iniciativas pontuais e de impacto limitado.

Sob a lógica das IFRS S1 e S2, DEI ganha relevância no núcleo das decisões estratégicas quando fatores relacionados a pessoas, cultura, diversidade e inclusão são materialmente relevantes e podem afetar as perspectivas da organização — incluindo fluxo de caixa, acesso a financiamento, custo de capital e capacidade futura de geração de valor.

De “programa” a dever fiduciário

A IFRS S1 estabelece requisitos gerais para a divulgação de informações financeiras relacionadas à sustentabilidade. A IFRS S2 tem foco específico em clima, mas sua estrutura — governança, estratégia, gestão de riscos e métricas e metas — reforça um modelo de análise que ajuda a enquadrar temas de sustentabilidade de forma integrada à governança e à geração de valor.

Na prática, esse novo enquadramento amplia a compreensão sobre a responsabilidade dos Conselhos de Administração na supervisão de riscos e oportunidades relacionados a capital humano, cultura organizacional e outros fatores sociais.

Entre essas implicações está a própria composição dos conselhos. Grupos homogêneos, com baixa diversidade de repertórios, experiências e perspectivas, podem representar vulnerabilidades relevantes: maior risco de vieses decisórios, menor capacidade de leitura de cenários emergentes e perda de oportunidades estratégicas.

Também ganha importância o fortalecimento de culturas inclusivas. O paper reúne estudos que associam diversidade nas lideranças e ambientes inclusivos a melhor qualidade de decisão, maior inovação, retenção de talentos, produtividade e resiliência organizacional.

Não se trata mais de apoiar iniciativas de DEI, mas de compreender como sua ausência ou fragilidade pode representar riscos ao negócio — desde perda de competitividade e talento até impactos reputacionais e restrições de acesso a capital.

Alerta para os Conselhos

O paper organiza os riscos materiais em três categorias principais:

No campo da governança, conselhos homogêneos elevam o risco de decisões enviesadas e reduzem a qualidade da supervisão estratégica.

No plano operacional e de capital humano, culturas excludentes comprometem a segurança psicológica, inibem a inovação e aumentam a rotatividade de profissionais.

Já no campo reputacional, a incoerência entre discurso e prática — especialmente quando associada a divulgações enganosas ou superficiais em sustentabilidade e responsabilidade social — pode gerar perda de credibilidade, litígios e impactos sobre valor, percepção de risco e condições de acesso a capital.

Análises de mercado sobre riscos e oportunidades

Diversos estudos de mercado reforçam essa percepção. Os relatórios “Diversity Matters”, publicados pela McKinsey entre 2015 e 2023, indicam correlação entre diversidade nas lideranças e melhores resultados financeiros.

O relatório “Women in the Workplace 2025”, publicado pela McKinsey em parceria com a LeanIn.Org, indica que ambientes mais justos e inclusivos estão associados a maior motivação, retenção, produtividade e inovação.

Do “se” para o “como”

O paper avança sobre uma questão essencial: como transformar essa compreensão em prática de governança?

Propõe que os conselhos formalizem DEI como tema de governança, integrem riscos e oportunidades relacionados a capital humano, cultura e inclusão ao planejamento estratégico e à gestão de riscos e acompanhem indicadores conectados à materialidade do negócio.

São dimensões que dialogam com os quatro pilares das normas: governança, estratégia, gestão de riscos e métricas e metas.

Migrou-se de um simbólico “se” os conselhos se envolverão na temática para um sonoro “como” os conselhos atuarão de forma responsável, estratégica e reforçando seu papel fiduciário.

Uma leitura para quem governa

O documento é dirigido a conselheiros, conselheiras e profissionais que atuam — ou desejam atuar — no universo da governança corporativa.

Mais do que discutir obrigatoriedade regulatória, o paper convida os Conselhos a olhar para DEI sob uma perspectiva de governança: identificando riscos e oportunidades materiais, conectando-os à estratégia e acompanhando os fatores que podem afetar a geração e a preservação de valor.

É justamente essa passagem do princípio à prática — com riscos, oportunidades, perguntas para os conselhos e caminhos de integração à governança — que o paper desenvolve em profundidade.

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Leia o paper completo, da série IBGC Discute, no Portal do Conhecimento:

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são, respectivamente, membros da Comissão de Pessoas e da Comissão de Sustentabilidade e Clima. Esse artigo foi escrito no âmbito do projeto #538.

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