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A partir desses dados, o debate ganhou profundidade, com intensa interação dos associados presentes, que contribuíram com perguntas, experiências e diferentes perspectivas.
O ambiente favoreceu não apenas a troca, mas também a reflexão qualificada sobre o papel da governança como elemento estratégico no agronegócio, especialmente na construção de decisões mais sustentáveis, na mitigação de riscos e na perenidade das empresas familiares do setor.
Além disso, os participantes tiveram a oportunidade de se conhecer, alinhar expectativas e definir a pauta dos encontros futuros. A condução da dinâmica foi participativa e favoreceu o engajamento dos membros, elevando o nível das contribuições e fortalecendo o propósito do grupo como ambiente de diálogo, aprendizado e desenvolvimento de visão estratégica para o agronegócio.
No segundo encontro, o tema central foi a sucessão nas empresas familiares, assunto de grande relevância para o setor, fortemente marcado pela presença de negócios familiares.
A convidada, Maria Beatriz de Paiva, compartilhou uma experiência prática, trazendo à tona os desafios existentes entre diferentes gerações, quanto ao modelo de sucessão, à profissionalização da gestão, o caráter humano do processo sucessório e à preservação do legado familiar.
O encontro foi marcado por um debate intenso e profundamente humano, no qual se destacou o depoimento da herdeira ao enfatizar a importância de se respeitar o tempo de maturação das decisões e, sobretudo, a sensibilidade dos profissionais ao lidarem com as dimensões íntimas que atravessam as empresas familiares.
A troca foi viva, com ampla participação dos associados, que trouxeram diferentes perspectivas e experiências, resultando em um diálogo inclusivo, mas produtivo, evidenciando que a sucessão vai além de estruturas jurídicas e exige escuta qualificada, empatia e preparo para conduzir processos que envolvem história, vínculos e identidade familiar.
O debate foi enriquecido pela apresentação do modelo das quatro salas, como estrutura de governança para empresas familiares, inspirado no Manual de Empresas Familiares da Harvard Business School, ampliando a compreensão dos participantes sobre mecanismos capazes de organizar papéis, decisões e responsabilidades dentro das famílias empresárias.
No terceiro encontro, o grupo debateu a análise de risco no setor agro, com o convidado Washington Pimentel Júnior, com uma visão pragmática sobre governança de risco, endividamento dos produtores rurais, relação com operadores do mercado financeiro e ampliação do acesso ao mercado de capitais nos últimos anos, bem como suas consequências.
O convidado e os membros puderam compartilhar suas preocupações em torno da crise de escassez de crédito, da elevada inadimplência e da fragilização da capacidade financeira dos grupos para as próximas safras.
Já no quarto encontro, a discussão avançou para a reforma tributária do consumo e seus impactos no agronegócio. A convidada foi Jaqueline Albino, que trouxe uma visão técnica aprofundada, com exemplos práticos e orientações sobre como os produtores podem se preparar para as mudanças.
Nos últimos dois encontros, ficou evidente a importância de ampliar o conhecimento dos participantes sobre temas complexos, mas decisivos para o futuro do setor, especialmente em um cenário marcado por endividamento, escassez de crédito, aumento de custos e riscos climáticos.
Os debates reforçaram que a governança, a gestão profissional e o acesso à informação qualificada são caminhos fundamentais para a estruturação sustentável dos negócios no agronegócio.
Os encontros do IBGC Dialoga Agronegócio têm se mostrado um espaço qualificado de troca de experiências, reflexão e construção coletiva de conhecimento sobre os principais desafios do setor.
Melina Lobo, foi instrutora e Wilson de Paula Silveira Junior, foi participante da 11ª edição do IBGC Dialoga no tema Agronegócio, que ocorreu no período de março a junho de 2026.